Doutor Ricardo Staut

Hérnia Irredutível / Encarcerada

Se você notou que um “caroço” na barriga ou na virilha que antes sumia ao deitar agora não some mais, esse é um sinal de alerta. Para entender o quadro completo sobre hérnias — causas, tipos e tratamento — veja nosso guia completo sobre hérnia abdominal. Aqui, o foco é explicar especificamente o que é uma hérnia irredutível e por que ela exige atenção rápida.

Sinal de alerta: quando o conteúdo de uma hérnia não volta espontaneamente para dentro do abdômen — nem mesmo com manipulação manual — ela é chamada de irredutível ou encarcerada. Isso reduz o fluxo sanguíneo da região e pode evoluir para estrangulamento, uma emergência cirúrgica.

O que significa “hérnia que não volta”?

Normalmente, o conteúdo de uma hérnia (geralmente uma alça intestinal ou gordura abdominal) pode ser empurrado de volta para dentro do abdômen, de forma espontânea ou com uma leve manipulação. Quando isso deixa de acontecer — porque a hérnia está grande demais ou o orifício está muito apertado — ela se torna irredutível ou encarcerada.

Por que isso é preocupante?

Na hérnia encarcerada, o órgão preso tem seu fluxo sanguíneo reduzido, causando dor e lesão tecidual progressiva. Se o fluxo for totalmente interrompido, o quadro evolui para hérnia estrangulada — quando pode ocorrer isquemia e gangrena do tecido, exigindo cirurgia de emergência.

Sintomas que merecem atenção imediata

  • Dor abdominal forte e localizada, que só piora
  • Vermelhidão e calor na região da hérnia
  • Náusea e vômitos
  • Dificuldade para evacuar e eliminar gases
  • Febre e mal-estar geral

Nesses casos, o mais recomendado é procurar avaliação médica imediata — não é uma situação para “esperar para ver”.

A hérnia umbilical irredutível é diferente?

O princípio é o mesmo, mudando apenas a localização: na hérnia umbilical, o conteúdo se projeta pelo umbigo. Quando esse conteúdo deixa de reduzir espontaneamente, os mesmos riscos de encarceramento e estrangulamento se aplicam, e a avaliação deve seguir a mesma urgência.

O que fazer

Diante de uma hérnia que parou de “sumir” ao repouso, ou que apresenta os sinais acima, a orientação é procurar avaliação com um cirurgião do aparelho digestivo o quanto antes. O diagnóstico é clínico, complementado por exame de imagem quando necessário, e a decisão sobre a urgência do procedimento é sempre individualizada.

Notou uma hérnia que não reduz mais? Não espere.

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