Doutor Ricardo Staut

CIRURGIA BARIÁTRICA

O QUE É CIRURGIA BARIÁTRICA E COMO FUNCIONA?

Entenda o procedimento, seus efeitos no corpo e na sua rotina.

A cirurgia bariátrica, popularmente conhecida como redução de estômago, é um procedimento médico indicado para o tratamento da obesidade grave e das doenças associadas a ela. Seu principal objetivo é promover o emagrecimento de forma significativa e duradoura por meio da modificação anatômica e funcional do sistema digestivo.

Durante a cirurgia, o formato e o tamanho do estômago são alterados, reduzindo drasticamente sua capacidade de armazenamento — que pode passar de até 1,5 litro para apenas 50 a 200 ml, dependendo da técnica cirúrgica adotada. Essa mudança impacta diretamente a digestão e absorção de calorias, além de interferir na produção de hormônios ligados à saciedade e ao apetite, como a grelina.

Essas alterações hormonais, aliadas à menor ingestão de alimentos, contribuem de forma eficaz para a perda de peso e o controle de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão e dislipidemia. No entanto, é fundamental reforçar que a cirurgia bariátrica não é uma solução isolada: o sucesso do tratamento depende do acompanhamento multidisciplinar com nutricionistas, psicólogos, endocrinologistas e outros profissionais da saúde.

Se você está buscando entender melhor como a cirurgia bariátrica funciona, quais são seus benefícios, riscos e quem pode realizá-la, continue lendo este conteúdo completo e atualizado.

Informações e dúvidas sobre CIRURGIA bariátrica

O que é Obesidade?

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), obesidade é o excesso de gordura corporal que pode causar prejuízos à saúde. É uma doença crônica que afeta, em diferentes proporções, pessoas de todas as idades e todos os grupos sociais.

Sendo assim a obesidade é definida como Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 30 kg/m².

É uma doença altamente prevalente que além de desencadear prejuízos sociais e psicológicos como isolamento social e depressão, também leva ao aumento de doenças orgânicas como diabetes mellitus, hipertensão arterial, doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), dislipidemias, trombose venosa profunda, além de aumentar o risco de neoplasias e de eventos cardiovasculares como infarto agudo do miocárdio e derrame cerebral, diminuindo assim a expectativa de vida desses pacientes.

De acordo com dados do Ministério da saúde em 2022, 34,63% dos brasileiros encontravam-se obesos, tendo esse número atualmente sendo superado.

De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade de 2023, mais de 50% da população mundial estará com sobrepeso ou obesidade em 2035, sendo classificada pela OMS como um dos mais graves problemas de saúde do mundo.

Classificação de obesidade

O método mais utilizado para o diagnóstico da obesidade é o cálculo do IMC, ou seja, o índice de massa corporal. O IMC é calculado por meio da divisão do peso do paciente pela sua estatura, em metros, ao quadrado. 

De forma simplificada seria: peso / (altura x altura).

Diz-se que o paciente tem peso normal quando o resultado do IMC está entre 18,5 Kg/m² e 24,9 Kg/m².

Pessoas com IMC de 25 a 30 Kg/m² são consideradas como acima do peso enquanto aquelas entre 30 e 40 Kg/m² já são classificadas como obesas.

Quer descobrir seu IMC? Use nossa calculadora.

O que é a Cirurgia Bariátrica?

A cirurgia bariátrica são procedimentos realizados para tratar casos de obesidade grave.

Ela ficou conhecida como “redução do estômago” porque muda formato e o tamanho do órgão, reduzindo assim sua capacidade de receber alimentos, alterando o processo de digestão e consequentemente dificultando a absorção de calorias.

Uma pessoa não operada em geral tem um estômago com capacidade aproximada de 1 litro a 1,5 litro de alimentos. Já um estômago pós-bariátrica tem capacidade para 50 ml a 200 ml (equivalente a um copo americano) a depender da técnica empregada.

A cirurgia afeta ainda a produção de hormônios relacionados à saciedade e o apetite, o que diminui a vontade de comer, essas alterações associadas a redução da capacidade do estômago auxiliam no emagrecimento.

As alterações hormonais pós cirurgia irão variar de acordo com o tipo do procedimento e as características individuais do paciente.

Lembrando que a cirurgia é um método que auxilia a perda de peso, sendo imprescindível o acompanhamento multidisciplinar (Nutricionista, Endocrinologista, Psicólogo e outros) afim de garantir o sucesso da cirurgia à curto e longo prazo. 

Quem pode fazer a Cirurgia Bariátrica?

De acordo com a Resolução do CFM Nº 2.131/2015 a Cirurgia Bariátrica fica indicada para:

  1. Pacientes com IMC acima de 40 Kg/m² independentemente da presença de comorbidades (Doenças associadas).
  2. Pacientes com IMC acima de 35 Kg/m² com presença de comorbidades (doenças agravadas pela obesidade e que melhoram quando a mesma é tratada de forma eficaz) que ameacem a vida, tais como   diabetes, apnéia do sono, hipertensão arterial, dislipidemias, doença coronariana, osteoartrites e outras.

Os pacientes devem apresentar:

  • Idade: maiores de 18 anos. Idosos e jovens entre 16 e 18 anos podem ser operados, mas exigem precauções especiais e o custo/benefício deve ser muito bem analisado;
  • Obesidade estável há pelo menos cinco anos;
  • Pelo menos dois anos de tratamento clínico prévio, não eficaz;
  • Ausência de drogas ilícitas ou alcoolismo;
  • Ausência de quadros psicóticos ou demenciais graves ou moderados;
  • Compreensão, por parte do paciente e de seus familiares, dos riscos e mudanças de hábitos inerentes a uma cirurgia de grande porte e da necessidade de acompanhamento pós-operatório com a equipe multidisciplinar por toda a vida do paciente;
  • Ausência de contraindicações para o procedimento cirúrgico proposto.

Quais as comorbidades relacionadas a obesidade que indicam a realização da Cirurgia Bariátrica?

  • Diabetes;
  • Apnéia do sono;
  • Hipertensão arterial;
  • Dislipidemias (Colesterol/Triglicerídeos alto);
  • Esteatose hepática;
  • Doença do Refluxo com indicação cirúrgica;
  • Colecistopatia calculosa – (Pedra na Vesícula);
  • Pancreatites agudas de repetição;
  • Infertilidade masculina e feminina;
  • Estigmatização social e depressão;
  • Doença arterial coronariana;
  • Infarto do miocárdio (IAM);
  • Angina;
  • Insuficiência cardíaca congestiva (ICC);
  • Acidente vascular cerebral (AVC);
  • Hipertensão e fibrilação atrial;
  • Cardiomiopatia dilatada;
  • Cor pulmonale e síndrome da hipoventilação;
  • Asma grave não controlada;
  • Osteoartroses e hérnias discais;
  • Incontinência urinária de esforço na mulher;
  • Disfunção erétil;
  • Sindrome dos ovários policísticos;
  • Veias varicosas e doença hemorroidária;
  • Hipertensão intracraniana idiopática.

Quais os tipos de Cirurgia Bariátrica?

As técnicas mais utilizadas mundialmente são o Bypass Gástrico e a Gastrectomia Sleeve, ambas realizadas por videolaparoscopia, sem a necessidade de incisões abdominais extensas e com internação de curto prazo na maioria dos casos.

No Bypass Gástrico é confeccionado um pequeno novo estômago (pouch) acarretando uma redução gástrica importante, reduzindo aproximadamente 90-95% do volume do estômago, associada a um desvio intestinal. O reservatório gástrico fica em torno de 50ml.

Na Gastrectomia Vertical ou Sleeve, o estômago é transformado em um tubo que permite a passagem do alimento com um pequeno reservatório para os alimentos, em torno de 100ml.

Nas duas cirurgias o mecanismo de ação se baseia na redução da ingestão de alimentos, na diminuição da absorção de nutrientes e calorias, indução de saciedade precoce e alterações hormonais importantes para redução da fome, estímulo da função do pâncreas e outras mudanças sobre o trato gastro-intestinal indutoras do emagrecimento.

Como é feita a escolha do tipo de cirurgia?

A escolha vai depender da avaliação do paciente como um todo, levando em consideração o sexo, idade, comportamento alimentar, histórico pessoal e familiar, presença de refluxo, diabetes, grau de obesidade e o desejo do paciente.

Lembrando que as duas técnicas podem apresentar resultados semelhantes na perda de peso, com algumas características especiais de cada uma e que o comprometimento do paciente com as orientações e o acompanhamento com a equipe cirúrgica e multidisciplinar são essenciais para o sucesso.

A Cirurgia Bariátrica é eficaz? Quais os benefícios da Cirurgia Bariátrica?

Sim, a cirurgia bariátrica é considerada uma cirurgia eficaz promovendo perda de peso e controle de doenças associadas.
São diversos os benefícios, abaixo citamos alguns dos principais:

Perda de Peso

A medida mais usada para avaliar o sucesso da cirurgia bariátrica é a porcentagem de perda do excesso de peso (PEP). A cirurgia bariátrica é capaz de ocasionar redução em média de 50 a 70% do excesso de peso em um período de 12 a 18 meses.


Correção do diabetes

A doença que mais recebe impacto da cirurgia bariátrica é o diabetes do tipo 2, apresentando melhora significativa nos níveis glicêmicos e na necessidade do uso de hipoglicemiantes.


Controle da Hipertensão

Diminuindo ou eliminando a necessidade de uso de medicamentos, consequentemente reduzindo risco de eventos cardiovasculares como infarto e derrame cerebral.


Apneia do sono

Remissão em aproximadamente 90% dos pacientes ou melhora dos sintomas.


Esteatose hepática não alcoólica

Após 2 anos do procedimento, há chance de resolução de 84% dos casos de esteatose.

Melhora da qualidade de vida
No aspecto psicológico com melhora da autoestima e do estado emocional, bem como na capacidade de realização de atividades físicas e laborais.


Aumento da Expectativa de vida

Estudos mostram que a cirurgia bariátrica pode aumentar a expectativa de vida em até 9 anos em alguns casos e tem capacidade de redução do risco de desenvolvimento de câncer que se encontra aumentado em pacientes obesos.

Além dos benefícios citados acima, há evidências de melhora em condições como dislipidemias, doença do refluxo gastroesofágico, osteoartrite, depressão e outros.

Como funciona o Pré operatório e quais os exames necessários?

Nas consultas pré-operatórias conhecemos o paciente, suas expectativas, avaliamos seu entendimento sobre a doença bem como do tratamento, visando fornecer conhecimento e otimizar a segurança e os resultados da cirurgia bariátrica e metabólica.

São realizadas orientações e conversando com o paciente são sanadas qualquer eventual dúvida que possa aparecer sobre o procedimento e sua trajetória, sendo obrigatório o preenchimento do Termo de Consentimento Informado, no qual o paciente reconhece estar devidamente ciente e informado sobre os benefícios e riscos da cirurgia.

Solicita-se ao paciente que se esforce para perder em média 10% de peso antes da cirurgia, pois alguns quilos a menos podem oferecer melhores condições à anestesia geral e à operação.

Nesta fase são solicitados uma série de exames, como endoscopia digestiva, ultrassom abdominal e exames laboratoriais completos com dosagens de vitaminas e sorologias, além da realização de encaminhamentos para consultas com os profissionais obrigatórios: cirurgião, cardiologista, psiquiatra, psicólogo e nutricionista. Podendo ser feito encaminhamentos para outros profissionais a depender do caso.

Sempre recomendamos a presença de familiares acompanhando o paciente nesta fase tão importante.

É necessário o uso de Vitaminas por toda vida após a cirurgia?

Sim. Independente da técnica utilizada, a ingestão de nutrientes passa a ser menor e absorção de alguns destes nutrientes também é modificada, seja por desvio da passagem dos alimentos ou por menor secreção de enzimas e sucos digestivos que auxiliam na absorção.
Todo paciente submetido à Cirurgia Bariátrica terá que repor diversos nutrientes e vitaminas que o organismo passa a não conseguir absorver dos alimentos ou absorver apenas parcialmente. Sendo essas reposições, até que se prove o contrário, por toda a vida.

Quais os sintomas relacionados a deficiência de vitaminas?

​Os sintomas podem ser muito variados, como queda de cabelo, descamação da pele, diminuição de imunidade, dificuldade de cicatrização, borramento visual, cegueira noturna, fraqueza muscular, alteração do paladar, e perda de massa muscular, entre outros a depender da vitamina que se encontre em deficiência.

Quando são os retornos pós-operatórios com o cirurgião?

​Os pacientes operados são orientados a retornarem em consulta com 7 dias de operados para melhor avaliação da adaptação pós cirurgia e orientações dietéticas, após orientamos retorno com 1 mês, 3 meses, 6 meses e 1 ano sendo a partir da consulta de 1 ano agendados retornos anuais na maioria dos casos podendo haver alterações individualizadas.

Quais as possíveis complicações da cirurgia bariátrica?

Apesar de ser uma cirurgia muito segura e de baixo risco de complicações graves, como toda cirurgia, a bariátrica tem riscos que são comuns a todo procedimento cirúrgico e alguns riscos mais específicos que serão pormenorizados abaixo.

A complicação mais temida são as fistulas que consistem no rompimento de grampos ou pontos do estômago permitindo vazamento pela linha da sutura, podendo levar a uma infecção.
O risco é muito baixo ocorrendo em menos de 1% dos casos.

Um dos fatores que pode levar a isso é a ingestão exagerada de alimentos nos primeiros dias após a cirurgia, o que acaba pressionando os grampos ou as suturas, sendo de muito importante seguir à risca as orientações para um pós-operatório alinhado.

Anticoncepcionais e cirurgia bariátrica – O que saber?

Pacientes em programação de cirurgia bariátrica são orientadas a utilização de métodos contraceptivos de preferência não hormonais já na fase pré-operatória devido ao aumento da fertilidade visto em pacientes operados e visando o não aumento do risco cardiovascular que se encontra aumentado nesses pacientes em virtude da obesidade. Não orientamos a utilização de pílulas anticoncepcionais devido ao fato de ocorrer alterações na absorção destes medicamentos em virtude da cirurgia, sendo orientado a utilização de métodos de longa ação com maior eficácia como DIU ou implantes.

Operei de cirurgia bariátrica – Quando posso engravidar?

Pacientes submetidos a cirurgia bariátrica recomendamos o prazo de 18 meses após a cirurgia para engravidar, visando uma melhor recuperação, estabilização de perda de peso, adaptação do novo estilo de vida e suplementação adequada.
Como a cirurgia bariátrica altera a absorção de vitaminas e nutrientes o cuidado em pacientes bariátricos merece muita atenção. Apesar das recomendações, a paciente bariátrica pode engravidar normalmente e ter uma gestação saudável, somente necessita de um cuidado especial e acompanhamento multi-disciplinar.

Fístula após cirurgia bariátrica: definição, sintomas e tratamento

A cirurgia bariátrica (redução de estômago) é em geral segura, mas pode ter complicações pós-operatórias raras. Uma delas é a fístula bariátrica – um vazamento de conteúdo digestivo pelas suturas ou grampos do estômago/intestino. Em termos leigos, ocorre quando há uma comunicação anormal entre o estômago e a cavidade abdominal ou entre o estômago e o intestino, permitindo que sucos gástricos e alimentos escapem. Essa situação costuma acontecer nos primeiros dias após a cirurgia (geralmente entre o 2º e o 12º dia de pós-operatório) Embora seja rara (cerca de 1% dos casos), a fístula é grave porque pode causar infecção intensa (peritonite) e risco de vida se não for tratada rapidamente

O que é uma fístula após a cirurgia bariátrica?

A fístula bariátrica é basicamente um vazamento interno. Após o bypass gástrico, por exemplo, há anastomoses (ligações) entre o novo “pouch” estomacal e o intestino. No sleeve (gastrectomia vertical), há uma longa linha de grampos no estômago. Se algum ponto ou grampo falhar, o conteúdo estomacal sai para dentro do abdômen.
Esse “extravasamento” pode ocorrer por má cicatrização, falta de oxigenação do tecido ou esforço excessivo sobre os grampos. Pacientes mais idosos, obesos extremos (IMC muito alto) ou com doenças como diabetes descontrolado têm risco aumentado.

Atualmente, as técnicas laparoscópicas modernas tornaram a cirurgia mais segura do que as antigas cirurgias abertas, mas a fístula ainda pode ocorrer em pequena porcentagem de casos. cirurgia bariátrica (redução de estômago) é em geral segura, mas pode ter complicações pós-operatórias raras. Uma delas é a fístula bariátrica – um vazamento de conteúdo digestivo pelas suturas ou grampos do estômago/intestino. Em termos leigos, ocorre quando há uma comunicação anormal entre o estômago e a cavidade abdominal ou entre o estômago e o intestino, permitindo que sucos gástricos e alimentos escapem.
Essa situação costuma acontecer nos primeiros dias após a cirurgia (geralmente entre o 2º e o 12º dia de pós-operatório).

Embora seja rara (cerca de 1% dos casos), a fístula é grave porque pode causar infecção intensa (peritonite) e risco de vida se não for tratada rapidamente.

Quais os sinais que podem apresentar os pacientes com fístula?

Os sintomas de fístula geralmente aparecem logo nos primeiros dias ou semanas após a cirurgia. Os sinais de alerta mais comuns incluem:

  • Febre persistente – indica infecção;
  • Coração acelerado (taquicardia) – sinal de resposta inflamatória;
  • Dor abdominal intensa – principalmente na área operada, às vezes irradiando para as costas ou ombro;
  • Redução do volume urinário (oligúria) – pode ocorrer em quadros de infecção grave;
  • Pressão arterial baixa (hipotensão) – em casos mais sérios de vazamento e infecção;
  • Náuseas e mal-estar geral – sensação de indisposição e vômitos também podem surgir.

Esses sintomas podem vir acompanhados de fraqueza extrema, suor frio ou confusão mental se a infecção se agravar. Se você teve cirurgia bariátrica recentemente e notar qualquer combinação desses sinais – especialmente febre, dor intensa e taquicardia – procure ajuda médica imediatamente. Conforme orientam cirurgiões bariátricos, caso esses sinais e sintomas apareçam o paciente deve procurar com rapidez seu cirurgião bariátrico.

O profissional pedirá exames específicos para o tratamento mais indicado. Se o problema for leve, antibióticos intravenosos e jejum podem resolver. Quando mais graves podem demandar intervenção cirúrgica ou terapias endoscópicas.  

Qual o risco de desenvolver TVP – Trombose venosa profunda e TEP - Tromboembolismo Pulmonar?

O Risco é baixo, porém sabemos que todos pacientes obesos em especial com IMC >40, apresentam risco elevado para desenvolver trombose venosa se compararmos com a população geral.
A trombose nesses pacientes pode ocorrer em situações comuns como uma viagem de carro prolongada e também após a cirurgia.

Por isso a importância de realizar um bom pré-operatorio e utilização de medidas para prevenção, como uso de meias elásticas, botas de compressão intermitente e uso de anticoagulantes no pré-operatório, intra e pós-operatório.

As medidas para prevenção são ofertadas a todos os pacientes a serem submetidos cirurgia bariátrica, sendo muito importantes a sua utilização para diminuir ainda mais os riscos.

Qual o risco de desenvolver Hérnia interna ou Hérnia de Petersen?

O risco é baixo, ocorrendo somente em poucos pacientes, sendo vista cada dia menos devido a sistematização da técnica operatória.

Considerada uma complicação tardia, ocorre somente nos pacientes submetidos a cirurgias com desvio, como o Bypass Gástrico, a hérnia interna acontece quando ocorre a migração de parte do intestino delgado por um defeito ou seja um orifício que se forma na confecção do desvio, esse orifício é fechado por pontos na cirurgia, porém em alguns pacientes pode ocorrer desse orifício abrir em especial após uma perda de peso importante, podendo causar com isso um quadro de obstrução intestinal e necessidade de cirurgia por laparoscopia na maioria dos casos para resolução.

Pacientes bariátricos tem maior chance de desenvolver pedras na vesícula?

​Sim. O risco de desenvolver pedras na vesícula se encontra até 5X maior nos pacientes que fizeram bariátrica, ocorrendo em geral nos primeiros 6 meses após a cirurgia.
Uma vez diagnosticada a pedra na vesícula é indicado a cirurgia para remoção da vesícula biliar.

Qual o risco de desenvolver uma Estenose da anastomose ou estreitamento após cirurgia bariátrica?

O risco é considerado baixo e menor em nossa casuística pela confecção da anastomose de forma manual. Em geral elas ocorrem mais comumente nas primeiras 4 a 6 semanas de pós-operatório no bypass e habitualmente é facilmente resolvida com tratamento endoscópico.

Quais outras complicações podem ocorrer após a cirurgia bariátrica?

Podem ocorrer, atelectasias, sangramentos, hematomas e infecções de feridas operatórias, hérnias incisionais e outras complicações comuns a qualquer procedimento cirúrgico.

Quais outras queixas em geral o paciente bariátrico pode apresentar?

Alguns pacientes relatam sentir mais frio após a cirurgia bariátrica. Isso ocorre porque a diminuição do tecido adiposo, que é um isolante térmico, faz com que o corpo fique mais vulnerável às baixas temperaturas. Outros pacientes relatam maior produção de gases intestinais, o que ocorre por causa das alterações no processo digestório do intestino.

O paladar do paciente bariátrico muda após a cirurgia?

Sim isso pode acontecer. É muito comum os pacientes bariátricos referirem alterações do paladar após a cirurgia, podendo se apresentar de diversas formas como pessoas que não gostavam de saladas e vegetais começam a gostar, pacientes que gostavam de doces e estes deixam de ser interessantes e outras. É importante relatar que essas alterações não são muito bem estabelecidas suas causas e tempo de duração, podendo estar relacionadas com a mudança da dieta nos primeiros meses e reeducação alimentar gerando novos interesses alimentares.

Pacientes bariátricos são orientados a mastigar bem o alimento e comer devagar, dessa forma, o alimento passa a ser melhor elaborado na boca e o paciente passa a saboreá-lo de uma forma diferente.

Muitos pacientes referem que após alguns meses ocorre a normalização, em geral estando associado a exposição constante a determinado alimento, em geral devido ao meio de convívio social.

Fiz bariátrica – O que é o Dumping?

A síndrome de dumping, também conhecida como esvaziamento gástrico rápido, é um conjunto de sintomas que ocorre quando os alimentos passam rapidamente do estômago para o intestino. A síndrome de dumping é comum após cirurgias gastrointestinais, como a cirurgia bariátrica, que alteram o processo digestivo. Os sintomas podem ocorrer entre 30 minutos a 1 a 3 horas após a refeição. 

Quais os sintomas da síndrome de Dumping?

Os pacientes que apresentam dumping em geral relatam um mal-estar importante que pode estar associado a diarreia, náuseas, tontura, cefaleia, taquicardia, cólica, visão turva, suor excessivo, sensação de fraqueza e desânimo, podendo apresentar queda da pressão arterial. 

Como evitar a síndrome de Dumping?

Para evitar crises de dumping, é importante mudar os hábitos alimentares e evitar ou até mesmo cortar principalmente alimentos ricos em açúcar e carboidratos, como refrigerantes, caramelos, sorvetes e doces.

Além disso evitar ingerir líquidos durante as refeições e se alimentar de forma geral em pequenas porções com uma boa mastigação.

Como evitar os riscos da cirurgia bariátrica?

​​A principal medida a ser realizada, é a total compreensão pelo paciente do processo da cirurgia bariátrica e seguir as orientações do cirurgião e equipe multi-disciplinar para cada etapa dessa jornada.

A explicação dos riscos não tem o objetivo de assustar o paciente, porém precisam ser ditas, afim de informar e promover melhor entendimento e compreensão.

Lembre-se: o risco de morte numa cirurgia bariátrica realizada num hospital com recursos e por uma equipe experiente é muito baixo e comparável a cirurgias mais comuns, como uma cesariana ou a retirada da vesícula biliar, por exemplo. As complicações cirúrgicas de fato existem e, apesar de raras, é dever do médico informá-las aos seus pacientes.  Sendo este o intuito destas informações.

Se ainda tiver dúvidas, pergunte tudo ao seu médico. Não tenha vergonha de levar uma lista de perguntas por escrito para que você não se esqueça de nada. Só quando tudo estiver bem esclarecido é que será possível um processo cirúrgico tranquilo.

O que é cirurgia metabólica?

A cirurgia metabólica, tecnicamente é semelhante à cirurgia bariátrica, porém tem como objetivo o controle da Diabetes Mellitus tipo 2.

Quem pode fazer a Cirurgia Metabólica?

De acordo com a Resolução do CFM Nº 2.172/2017 a Cirurgia Metabólica fica indicada para os pacientes portadores de Diabetes Mellitus tipo 2, com IMC entre 30 e 34,9 Kg/m², sem resposta ao tratamento clínico convencional podem ser submetidos a esse procedimento.
Os pacientes devem apresentar:

  • Indicação obrigatória por 2 médicos especialistas em endocrinologia, mediante parecer fundamentado atestando a refratariedade.
  • IMC entre 30 kg/m2 e 34,9 kg/m2; 2.
  • Idade mínima de 30 anos e máxima de 70 anos;
  • Menos de 10 anos de história da doença;
  • Refratariedade ao tratamento clínico, caracterizada quando o paciente não obtiver controle metabólico após acompanhamento regular com endocrinologista pôr no mínimo dois anos, abrangendo mudanças no estilo de vida, com dieta e exercícios físicos, além do tratamento clínico com antidiabéticos orais e/ou injetáveis;
  • Ausência de contraindicações para o procedimento cirúrgico proposto.  
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